Carregar o filho junto ao corpo voltou à moda. Descubra a importância do colo e a origem do sling por Deborah Trevizan, mãe da Isadora e do Pietro foto: Guga Ferri Nascer deve ser um tremendo susto. Dentro do útero, aconchegado e embalado 24 horas por dia, o bebê não precisa fazer nada para conseguir o que quer: comer, dormir… Está tudo lá. Do lado de fora, começa uma verdadeira batalha. Daí, só chorando mesmo. Qual a mãe que nunca ouviu, em forma de conselho, que seu filho está ficando muito no colo, que vai ficar mal acostumado e manhoso? Às vezes, até os próprios médicos aconselham a não atender nossas crias assim tão prontamente, tirando do berço ao primeiro sinal de desconforto, com o perigo de torná-los dependentes demais.
No livro o Bebê mais Feliz do Pedaço, o pediatra norte americano Dr. Harvey Karp conta a história de uma tribo no deserto de Kalahari, na África. Na tribo Kung, as mães carregam seus filhos por quase 24 horas, diariamente. Isto mesmo: andam, trabalham, comem, dormem sempre com os filhos grudadinhos, amarrados ao corpo por meio de uma tira de couro. Cientistas passaram algum tempo observando os hábitos da tribo e em relação aos bebês fizeram uma interessante observação: eles nunca choram ou, pelo menos, não choram desesperadamente como muitos bebês. Será que é uma coincidência ou eles são mais calmos por continuarem a ter seus desejos e necessidades satisfeitos imediatamente após o nascimento? Mães asiáticas, africanas e da América do Sul sempre privilegiaram o contato com o bebê e carregam suas crias para cima e para baixo em cangurus e carregadores (vale até lenços amarrados). Estas mães serviram de modelo para que diversos tipos de carregadores de bebês surgissem.
A idéia se espalhou pela Europa, EUA e chegou ao Brasil: cada vez mais mulheres usam slings, wraps, fast wraps, mei tais e cangurus. Há até um termo usado nos EUA para estes carregadores: babywearing, criado pela família do Dr. Sears, renomado médico que comprou a idéia do carregador de bebês moderno, com a incorporação de um par de argolas no lugar do tradicional nó. Segundo o conceito do Dr. Sears, o sling é o instrumento, mas o objetivo principal é o colo. Este costume chegou ao Brasil por meio de mulheres que tiveram contato com carregadores estrangeiros e o sling tem sido o preferido entre as brasileiras. Nosso toque foi dado com estampas, cores e tecidos leves. A pioneira na fabricação brasileira foi Analy Uriarte, mãe de Teodoro, Bruna e Frederico, desde 2003. Em 2007, Analy abriu a Sampasling com mais duas sócias. Ela conta que começou a fabricá-los para promover o babywearing, quando seu primeiro filho nasceu, há oito anos. Naquela época, as pessoas estranhavam ao ver o menino pendurado junto ao corpo da mãe. Três anos depois, quando a segunda filha nasceu, as coisas foram diferentes. “Existe uma desconfiança inicial, mas depois passa. O bebê quer colo mesmo e a mãe precisa usar os braços. Acho que o sling ficou adormecido, mas não esquecido”, afirma Analy, lembrando que hoje já virou moda entre famosas. Atualmente, Analy está radicada no Paraguai e promove um trabalho social para divulgar o babywearing.
Movimento mundial A onda virou um movimento mundial: no ano passado, aconteceu a primeira Semana Mundial do Babywearing. Mães de todo o mundo se reuniram com seus bebês a tiracolo. Em São Paulo, um grupo de mulheres também se organizou em um evento no Parque da Água Branca, zona oeste da cidade, com o nome de “Me amarro num colo”. A educadora Elly Chagas, mãe de Caetano, foi umas das organizadoras e esteve à frente do evento em São Paulo. “Procuramos destacar uma postura mais humanizada na relação entre mãe e bebê”. Ela conta que o evento teve a pretensão de ser apenas simbólico, mas se mostrou bem efetivo. Mães que não conheciam o babywearing apareceram e as mulheres presentes conversaram sobre a relação mãe-bebê e a importância do colo.
“Quem participou saiu diferente”, afirma. A teoria de que os bebês ficam mimados ou dependentes do colo é rebatida no livro O Bebê mais Feliz do Pedaço. Segundo o autor, mesmo se um bebê ficasse no colo por 12 horas ao dia, não poderia ser considerado um excesso, pois já seria uma redução de 50% do que ele desfrutava no útero, 24 horas. O carrinho é um lugar confortável e prático para mães e bebês, mas nem sempre é a melhor opção. Uma pesquisa feita pela Universidade de Dundee, na Escócia, analisou mais de 2.700 grupos de pais e filhos: os pais que empurravam seus filhos no carrinho em posição de costas conversavam menos com a criança, que geralmente ficava estressada. Por outro lado, bebês e crianças levadas de frente para quem as conduziam ficaram mais propensas a falar, rir e interagir. Ou seja, a atenção não faz mal e o colo é a forma mais natural de dar conforto e amor ao bebê, do mesmo jeitinho que era dentro do útero.
Para o pediatra Carlos Eduardo Corrêa, filho de Victor e Sylma, não existe mimo em relação à criança com menos de um ano. “Carente fica quem não tem”, diz ele. “É incoerente pensar que o certo é afastar o bebê da mãe, como acontecia desde o nascimento nos hospitais. Hoje, a maioria das instituições já adota o alojamento conjunto”, explica. Segundo o médico, seguimos uma tendência européia de evitar o contato físico. Ele ainda explica que estas regras impostas pela puericultura, divisão da medicina que trata de bebês, é algo que vem em um “pacote” de regras, aprendido pelos médicos em sua formação. Colocar hora e tempo para mamar, por exemplo, sugere uma rotina que não há razão para ser seguida por todos, pois cada família tem seu ritmo.
A psicóloga e psicopedagoga Eliana de Barros Santos, mãe da Mariana, da Rebeca e Laerte, concorda que dar colo é se entregar. “A mãe que não está disponível não exerce a maternidade em sua plenitude”, afirma. Foi esta entrega à maternidade que motivou a professora de dança Tatiana Tardioli (na foto de abertura, usando carregador indígena), mãe de Nina, a carregar sua filha para o trabalho, auxiliando outras mães neste período. Ela dá aulas de dança para mães e bebês na Casa Materna, em São Paulo, utilizando carregadores. “Eu dancei e dei aulas de dança durante toda a gravidez da minha filha. A doula que acompanhou meu parto sugeriu que eu lecionasse para mães e bebês ao mesmo tempo, mostrou como funciona este tipo de aula fora do Brasil. Aí criei a proposta do curso, somando minha experiência, conhecimentos sobre o corpo e cuidados com o bebê.” Afinal, qual é o problema em relação ao excesso de colo? “O colo deixa de ser saudável quando impede o desenvolvimento físico”, diz Eliana.
Em outras palavras, só não vale sufocar a criança e impedir seus movimentos. A pediatra Elga Castanheira, mãe do Rodrigo, do Ricardo, da Renata e do Rafael, afirma que qualquer excesso não é bom. “Houve uma época em que o colo e outras atitudes de cuidado com os bebês foram consideradas cuidados extremos e desnecessários. Isto felizmente já mudou e atualmente sabe-se que o carinho é fundamental para o desenvolvimento da criança. A amamentação não é feita no colo?”, completa. Mãe canguru Outra prova de que colo faz bem é o método conhecido com Mãe Canguru, muito utilizado com bebês prematuros. O Método Mãe Canguru foi inicialmente desenvolvido em maternidades da Guatemala onde a falta de incubadoras fez com que pusessem os bebês dentro das roupas das mães para mantê-los aquecidos. Desde então tem demonstrado beneficiar muito recém-nascidos permitindo que eles regulem melhor seu ritmo cardíaco e sua respiração, melhorem o sono, cresçam mais depressa e com menos choro e recebam alta antes dos prematuros que não usaram o método. T
ipos de carregadores Sling: “Slingar” um bebê é transportá-lo junto ao corpo, sustentado por meio de uma faixa. Há slings que funcionam como uma “rede”, inteiros, onde os bebês se acomodam. Outros têm argolas e podem ser ajustados. Wrap: É um pano que tem de 4 a 6 metros de comprimento e é amarrado dependendo da forma em que o bebê é colocado. Ele pode ser carregado na frente ou de costas, com uma boa distribuição de peso. Fast Wrap: Uma variação do wrap.
Prático para passeios ou uso domiciliar. Não tem fivelas, zíperes, nenhum ajuste e vem em 5 tamanhos. Dá para carregar o bebê em várias posições: na frente, nas costas ou de lado, dependendo da idade e do desenvolvimento. Quando a criança dorme, é só puxar o tecido para apoiar a cabeça. Canguru: é o mais tradicional. É como se fosse uma cadeirinha com fivelas reguláveis. Pode ser usado na frente ou nas costas de quem o leva. A posição do bebê também pode variar entre virado para quem o carrega ou de costas.
Mei Tai: Com origem na Ásia, seu formato pode ser quadrado ou retangular e tem alças em cada canto, que são amarradas na cintura e passam pelos ombros e costas. A professora de inglês Heather Allan da Silva, mãe de Emily, Anna Elisa, Luca, Logan e grávida do Leo, usa muito o Mei Tai.
“A vantagem é poder colocar bebês maiores com apoio nos dois ombros, mas mantendo as pernas em uma posição que não sobrecarrega a coluna da mãe.”
Escrito por Iris Mussi 


Escrito por Iris Mussi 

Escrito por Iris Mussi 
Dentro desse quadro atual, a expectativa é que em qualquer fase do trabalho de parto, ou mesmo antes dele começar, o obstetra chegue à conclusão de que você deve fazer uma cesárea. Nessa hora, você deixa de ser uma parturiente, para ser uma paciente cirúrgica. Os cuidados com assepsia são redobrados. As complicações são mais possíveis por se tratar de uma cirurgia de grande porte, os riscos são maiores.
